4 problemas comuns da amamentação: como resolvê-los
A amamentação vai muito além de nutrir: é um momento que fortalece o vínculo afetivo entre mãe e bebê. Nos primeiros dias, pode apresentar desafios, mas superá-los traz imenso benefício para toda a família. O leite materno fornece todos os nutrientes necessários para a amamentação exclusiva até os seis meses, sendo depois complementado com alimentos saudáveis. O Ministério da Saúde recomenda amamentar até os dois anos ou mais. Neste artigo, apresentamos dicas práticas para ajudar mães e pais a resolverem os problemas mais comuns durante esta jornada natural e essencial.
1 – Cuidados na gestação e aleitamento materno
Os cuidados com os seios para o aleitamento materno começam durante a gestação. A preparação inclui o banho de sol diário nos mamilos, o uso de bucha vegetal durante o banho e evitar loções hidratantes no bico das mamas. Estas práticas, embora possam parecer estranhas, são fundamentais para que os mamilos fiquem mais resistentes, preparando as glândulas mamárias para a lactação futura.
Com o aumento no volume dos seios durante a gestação, eles ficam mais propensos ao surgimento de estrias. Para prevenir, as futuras mães precisam utilizar cremes específicos para impedir a formação dessas cicatrizes, usando – apenas nos seios e não nos mamilos – produtos que tragam segurança para a mãe e também para o bebê. É recomendável também o uso de sutiãs com alças largas e que ofereçam boa sustentação, trocando o tamanho conforme o crescimento das mamas. Em caso de dúvidas sobre o formato dos mamilos ou outras questões específicas, busque indicação médica para garantir uma amamentação bem-sucedida.
2 – Leite empedrado
O que é lactação e por que o leite empedra?
A lactação é o processo natural de produção de leite pelas glândulas mamárias. Nos primeiros dias após o nascimento do bebê, a quantidade de leite produzida pela mãe geralmente supera o que o pequeno consome. Este desequilíbrio pode causar o ingurgitamento mamário, popularmente conhecido como "leite empedrado", quando o leite se torna mais viscoso e não flui adequadamente.
O empedramento acontece principalmente devido ao esvaziamento incompleto da mama, técnica incorreta de amamentação ou mamadas pouco frequentes. Quando não tratado, pode evoluir para uma inflamação nas mamas chamada mastite, com sintomas mais graves.
| Sinais | Soluções rápidas |
|---|---|
| Mamas duras e doloridas | Amamentação frequente |
| Nódulos nos seios | Massagens circulares |
| Pele avermelhada | Compressas mornas durante o banho |
| Dificuldade na saída do leite | Extração manual ou com bombinha |
Importante: Em situações onde aparecem sintomas como febre, dores intensas ou mal-estar, procure imediatamente um profissional de saúde.
3 – Mamilos rachados e pega correta
Este talvez seja o maior problema das mulheres que amamentam: por causa da pega incorreta, os mamilos ficam doloridos e com fissuras. A dor pode ser tão intensa que muitas mães desistem da amamentação. Alguns cuidados eficazes incluem passar o próprio leite materno nos mamilos para auxiliar na cicatrização e revezar os seios durante a amamentação, sempre esvaziando cada mama completamente.
Como ensinar a pega correta?
A pega adequada deve ser sempre na aréola, não apenas no bico do seio. Posicione o recém-nascido de forma que ele abra bem a boca, como um peixinho, e abocanhe grande parte da aréola. A parte de cima da aréola deve ficar mais visível que a de baixo. Uma dica importante é usar a Técnica do "C": segure a mama formando a letra C com o polegar acima e os outros dedos abaixo da aréola, facilitando a pega do bebê.
Para maior conforto, experimente diferentes posições para amamentar até encontrar a que funciona melhor para vocês. Lembre-se: em caso de dores persistentes, consultem um especialista em amamentação.
4 – Inchaço das mamas (ingurgitamento) na amamentação
O ingurgitamento mamário ocorre devido ao acúmulo excessivo de leite nas mamas, tornando-as duras, vermelhas e extremamente sensíveis. Diferentemente da mastite, que é uma infecção que causa sintomas como febre e mal-estar, o ingurgitamento é apenas um acúmulo de leite que, se não tratado adequadamente, pode evoluir para uma condição infecciosa.
Compressas frias x quentes: quando usar?
Para aliviar o desconforto do ingurgitamento, é importante saber quando aplicar cada tipo de compressa:
- Compressas frias: ideais para reduzir o inchaço e aliviar a dor.
- Compressas quentes: ajudam antes da amamentação para melhorar o fluxo do leite.
- Amamentação em livre demanda: permite que o bebê esvazie as mamas regularmente.
- Massagens delicadas: auxiliam no desbloqueio dos ductos.
- Ordenha manual ou com bombinha: remove o excesso de leite quando necessário.
O acompanhamento com um profissional especializado em amamentação é fundamental para ajudar as mães a superarem esse desafio com segurança e conforto.
Benefícios da amamentação e do leite materno
Para o bebê
O leite materno é considerado o "padrão-ouro" da alimentação infantil, rico em componentes imunológicos que protegem contra infecções respiratórias e gastrointestinais. Estudos recentes do Instituto Butantan revelam que proteínas presentes no leite materno geram peptídeos bioativos que regulam o sistema imunológico do bebê.
Além disso, a exposição precoce a esses nutrientes durante o primeiro mês de vida proporciona maiores benefícios para o desenvolvimento cognitivo. Pesquisas indicam que crianças amamentadas apresentam melhor desempenho em testes de inteligência e habilidades de aprendizagem.
Para a mãe
Amamentar traz benefícios significativos para a saúde materna. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a amamentação reduz as taxas de hormônios que favorecem o desenvolvimento do câncer de mama, promovendo a eliminação e renovação de células que poderiam desenvolver lesões no material genético.
Amamentar também contribui para a recuperação pós-parto, ajudando na perda de peso. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses pode contribuir para uma redução de aproximadamente 5kg, embora esse processo varie para cada mulher.
Para a sociedade
A amamentação traz impactos econômicos positivos para toda a sociedade, reduzindo gastos com saúde pública ao diminuir internações hospitalares e tratamentos de doenças infantis. É a forma mais econômica de alimentação infantil, gerando economia para as famílias e para os sistemas de saúde.
Além disso, contribui para a sustentabilidade ambiental, pois não produz resíduos de embalagens ou exige processos industriais poluentes, ajudando a construir um futuro mais saudável para as famílias e para o planeta.
Posições para amamentar: guia rápido
Cruz-cradle
A mãe segura o bebê com o braço oposto ao seio oferecido, permitindo melhor controle da cabeça do pequeno. Dica: use uma almofada para apoiar o braço e evitar tensão nos ombros durante mamadas prolongadas.
Futebol americano
O corpo do bebê fica posicionado embaixo do braço da mãe, como se segurasse uma bola de futebol americano. Ideal para mães de gêmeos que podem amamentar dois bebês simultaneamente com os braços livres para ajustar a posição.
Deitada
Mãe e bebê ficam deitados de lado, barriga com barriga, proporcionando descanso durante mamadas noturnas. Dica: use travesseiros para apoiar as costas e manter o bebê na altura correta do seio.
Sinais de pega correta:
- Boca bem aberta cobrindo grande parte da aréola.
- Lábio inferior virado para fora.
- Queixo do bebê tocando o seio.
- Sucção rítmica e audível.
Alimentação e cuidados da mãe lactante
O que comer durante a amamentação
Durante a amamentação, a nutrição da mãe influencia diretamente a qualidade do leite materno. Uma alimentação equilibrada deve incluir frutas, cereais integrais, vegetais e proteínas magras, com aumento de 200 a 500 calorias diárias para suprir as necessidades energéticas da lactação. A hidratação é fundamental – beba bastante água ao longo do dia para garantir uma produção adequada de leite.
Alimentos ricos em vitaminas e minerais fortalecem o sistema imunológico tanto da mãe quanto do bebê. Evite o consumo de bebidas alcoólicas, excesso de cafeína e alimentos ultraprocessados, que podem passar para o leite materno. Confira mais dicas para amamentar com tranquilidade.
Medicamentos e vacinas
O uso de medicamentos durante a amamentação requer atenção especial. Embora a maioria dos remédios disponíveis seja segura, é imprescindível consultar um médico antes de iniciar qualquer tratamento. Nunca se automedique durante este período. Alguns medicamentos podem afetar a produção de leite ou passar para o bebê através da amamentação.
Quanto às vacinas, a maioria é considerada segura para lactantes, não interferindo na qualidade do leite materno nem prejudicando o bebê. Seu médico poderá avaliar caso a caso, considerando o tipo de vacina e sua necessidade específica, garantindo a segurança tanto para a mãe quanto para o lactente.
Perguntas frequentes sobre amamentação
O que é amamentação?
Amamentação é o processo natural de alimentar o bebê com leite materno, proporcionando nutrientes essenciais e anticorpos que fortalecem o sistema imunológico, além de estreitar o vínculo afetivo entre mãe e filho.
Como amamentar corretamente?
A técnica correta envolve posicionar o bebê com a boca bem aberta, abocanhando não apenas o mamilo, mas grande parte da aréola, com os lábios virados para fora em formato de "peixinho" e o queixo encostado na mama.
Quanto tempo dura a amamentação?
A Organização Mundial da Saúde recomenda amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida e complementada com outros alimentos até os dois anos ou mais, conforme desejado pela mãe e bebê.
Quais são as fases da amamentação?
A amamentação possui três fases: o colostro (primeiro ao quinto dia), rico em anticorpos; o leite de transição (sexto ao décimo quinto dia); e o leite maduro, que se adapta às necessidades do bebê.
Quem pode amamentar?
A maioria das mulheres pode amamentar, exceto em casos específicos como infecção por HIV, uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação ou quando o bebê possui galactosemia ou outras doenças metabólicas raras.